Casa do Celeiro

Pretende-se materializar um projeto de arquitetura que se relaciona com o meio envolvente de modo a tirar partido das características rurais do terreno, através de 2 volumes que se diferenciam formalmente, sem se chocarem. Ambos se relacionam serenamente. A Sul temos a casa principal, com data de construção de 1886 e, uma ampliação da mesma com data de 1902. Presume-se que o celeiro seja da mesma época (embora tenha sofrido posteriormente adulterações, nomeadamente na cobertura e revestimento de cimento em algumas paredes exteriores). Este conjunto, pela sua proximidade e conexão construtiva, pretende identificar-se como telúrico, característico do lugar rural onde se insere.  Adotamos, assim, uma concepção volumétrica do Celeiro que explora as construções vernaculares tradicionais dos Açores, com uma adaptação contemporânea e que pretende ajustar-se à topografia natural do terreno, através da suspensão parcial do mesmo.

Por sua vez, a piscina e casa de apoio ficará no quadrante norte, com vista para o mar. Para que tal aconteça, propõe-se baixar o muro limítrofe existente, a Norte. Assim sendo, a piscina, que por sua vez se eleva levemente sobre o terreno existente, oferece um efeito infinito sobre a linha do horizonte, prolongando-se visualmente sobre o mar. Adotou-se uma concepção equilibrada e simétrica para a casa da piscina e casa dos arrumos, como se de um templo clássico se tratasse. Desta feita, optou-se pelo uso de embasamento (para elevar a piscina), ladear em ambos os lados da casa da piscina uma escadaria simétrica e pontilhar colunas que sustentam uma arquitrave, criando espaço de alpendre para o solário da piscina.

Portanto, encontramos a Norte uma linguagem formal contemporânea, porém, com reminiscências clássicas através da simetria, ritmo, equilíbrio e escala humana. A linguagem contemporânea, pese embora seja diferente da linguagem arquitectónica vernacular da casa principal e Celeiro, a Sul, ambos os volumes propostos se interagem e até se comunicam eficazmente, criando uma simbiose serena e unificada. Parece que a arquitetura “sempre” esteve lá.

Localização

Calhetas, Ribeira Grande

Ano

2020